Domingo, 21 de Maio de 2006

The Da Vinci Code - O Código Da Vinci

E, prezado leitor, eu já tive o almejado prazer de o ver!
 
Vamos aos factos: para começar, vi o filme de uma perspectiva lateral – encostado a uma parede, portanto – numa sala cheia, o que era algo que já há algum tempo que não sucedia; depois, tenho que o avisar que será inevitável a comparação com o livro nesta crítica; porém, para gáudio do leitor, consegui a proeza de recolher algumas opiniões de alguém que ainda não leu o livro.
 
Embora quando li o livro tenha ficado com a sensação de que a história girava maioritariamente à volta da cruzada de Robert e de Sophie, resumindo-se as restantes cenas a meros apartes, no filme parece que estamos a seguir dois fios narrativos em simultâneo; um com os nossos aventureiros, e outro a explicar tudo o que sucede à volta, dividindo equitativamente tempo de narrativa.
 
Quanto às curiosidades históricas que pululam por todo o livro, o filme dá uma dose somente razoável… a única cena em que isso realmente realmente acontece é em casa do Leigh, quando falam sobre a Última Ceia (e até adicionaram um pormenor novo que não estava no livro e que não conhecia! Mas, em contrapartida, retiraram outros, como a mão com a adaga…). Evidentemente, acontece em outras cenas, mas por vezes, se o excelso leitor não estiver atento nem dá por ela; aliás, quando Robert e Sophie se dirigem para a Mona Lisa, a inclusão de uma curiosidade histórica tem resultados catastróficos, com Robert a recitar monocordicamente “o lado direito está consideravelmente abaixo do lado esquerdo bla bla bla” (ou será ao contrário? Já não tenho a certeza)… quem é que fugindo à polícia, num país estrangeiro, acusado de homicídio, com o tempo contado, se dá ao luxo de estar a reportar algumas características técnicas do quadro que não têm interesse para o caso? Claro, no livro isso também sucede, mas se bem me lembro (posso estar enganado) isso sucede com Robert a recordar-se de uma aula que uma vez deu, o que até é plausível, já que ia por fim encarar a Gioconda olhos nos olhos praticamente a sós.
No geral tenho um bocado de pena que as curiosidades históricas tenham sido postas de parte, já que para mim isso foi um dos encantos do livro, mas também admito que compreendo que eles não podiam dar-lhes muita atenção em detrimento da história.
 
Por falar em Robert, estimado leitor, aproveito para dizer que não gostei nada de ver o Tom Hanks neste papel; a ideia que tenho das elevadas conversas do dia a dia é que ninguém o estava a ver a encarnar o Robert Langdon, mas hey, vamos dar-lhe uma oportunidade… Porém, visto o filme, confirma-se que (pelo menos na minha humilde opinião) ele não fez grande obra… a sensação que perpassa por todo o filme é que ele é um autómato que aparece nas cenas e que recita de cor algumas frases que decorou previamente, sem o mínimo de expressividade ou emotividade – veja-se a discussão de história com Leigh enquanto tomavam chá. Quanto a Sophie, Audrey Tautou esteve, enfim, competente, assim como o Bispo ou o inspector Bezu; de quem gostei mesmo de ver foi Ian McKellen na pele de Leigh, e de ver o Silas… creio que é por causa do albino Silas e das cenas em que ele se auto flagela que se estão a levantar tantas vozes contra o filme (ler uma descrição é uma coisa, mas ver no grande ecrã é outra), e tenho que realmente concordar que faz um bocado de impressão ver essas cenas…
 
As cenas de acção estão razoáveis, embora, creio, pudessem estar melhores; vide por exemplo a cena da perseguição junto à embaixada americana. Por falar nessa parte, uma questão que sempre me atormentou: no Louvre eles usam sabonetes nas casas-de-banho, ou usam sabonete líquido? Parece-me bastante mais razoável que usem sabonete líquido, mas…
 
E comparando com o livro? Naturalmente não está lá tudo, mas nem eu estava à espera que estivesse… os dois casos que penso serem mais flagrantes referem-se à “pergunta-passe” para entrar em casa do Leigh, em que o Robert responde acertadamente, mas o espectador nunca fica a saber porquê (se quiser saber, prezado leitor, leia o livro) e sobre a forma como o Professor tomou conhecimento de quem eram os membros do Priorado… posso estar enganado, mas não me recordo realmente de eles explicarem isso no filme…
 
Opinião geral vinda de uma pessoa que não leu o livro… “Gostei muito, vale a pena ver, mas aquilo de que eles falam é tudo verdade?”
 
E a minha suprema opinião geral? Penso que o filme se assume como um filme normal, que não defrauda o livro em que é baseado; estas coisas são sempre melindrosas, e sendo evidente que tendo o livro o seu próprio ritmo e sendo ele próprio um livro, o filme sendo uma obra audiovisual nunca poderia resultar do mesmo modo. Todavia, creio que (tirando o Tom Hanks) o filme até resultou muito bem, e foram duas horas que não dei por perdidas, estando convicto que ninguém (quer tenha ou não lido o livro) as dará por perdidas.
P.S. - Acabei de ler isto na Wikipedia: "Recently at the Cannes festival theatre-goers were treated to a preview. Not only did the audience burst into laughter when the final plot twist was announced, but they also booed when the movie ended. Afterwards at a press conference, Ron Howard and the main cast seemed tense when questioned about the movie."
P.P.S. - Para todos aqueles que gostam destas coisas... na Virgin of the Rocks (retratada a seguir para prazer do preguiçoso leitor), atente-se na peculiar forma das rochas...
Elegantemente garatujado por One às 11:42
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1 comentário:
De Ricardo Moura a 29 de Maio de 2006 às 04:00
Gostei da tua crítica e concordei com muita coisa, mas sou mais cáustico noutras. espreita o meu blogue, se quiseres:
www.axasteoque.blogspot.com

um abraço

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